OSMAR DE LIMA MAGALHÃES, PRESIDENTE DO CPG

OSMAR DE LIMA MAGALHÃES, PRESIDENTE DO CPG (1981-1988)

Vivíamos, naquele tempo, um pouco do que estamos passando hoje, com muita liderança sendo assassinada, com uma direita ensandecida tentando dominar o cenário político. Mas conseguimos resistir e, do ponto de vista da organização de base, o CPG era exemplo.

DEPOIMENTO

Antes do CPG e do SINTEGO, a Associação das Professoras Primárias (APP) já fazia um trabalho muito bonito em Goiás. Da data eu não me lembro, mas me recordo bem das notícias da primeira assembleia dos professores de Goiás, convocada pelo professor Niso Prego, porque compareceram somente seis professores, eu mesmo não estava presente.

Niso fez uma segunda chamada, vieram mais de 20, eu inclusive. Trabalhamos, então, para convocar uma terceira, que reuniu mais de mil professores. Nossa primeira grande greve foi no ano de 1979, inspirada na luta
dos trabalhadores de São Bernardo do Campo, em São Paulo, sob o comando de Lula, em 1978. Foi uma greve que não contou com o apoio da nossa entidade nacional, a Confederação dos Professores do Brasil (CPB), que era burocrática e conservadora.

A greve serviu para nos aproximar de outros movimentos, como a Associação dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (APOESP) e a Associação dos Trabalhadores de Minas Gerais (UTEM) que, como nós, também trabalhavam com os princípios da liberdade e da autonomia para as organizações dos trabalhadores.

Foram esses princípios que forjaram a formação de um sindicalismo progressista no Brasil que culminou com a fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT),com uma importante participação dos trabalhadores goianos, sobretudo de dois segmentos: os servidores públicos, organizados no CPG, e os trabalhadores rurais, organizados a partir da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Vivíamos, naquele tempo, um pouco do que estamos passando hoje, com muita liderança sendo assassinada, com uma direita ensandecida tentando dominar o cenário político. Mas conseguimos resistir e, do ponto de vista da organização de base, o CPG era exemplo.

Nossa organização por regionais foi um passo decisivo para o fortalecimento do CPG e, mais tarde, do SINTEGO.
Esse modelo de organização só foi possível graças a sacrifício e à abnegação de muitos companheiros e companheiras. A maioria de nós ganhava muito pouco, não tinha nenhum dinheiro, e o CPG não tinha arrecadação nenhuma, então era tudo na base da vaquinha, do companheirismo, com passagem só de ida,
comendo e dormindo na casa de companheiros.

Lembro-me de uma viagem que fiz em 1982 com a Regina Claudia, que depois foi presidente do SINTEGO, e com o Adãozinho, um companheiro que já estava aposentado e podia ficar mais tempo fora. Chegando em Pedro Afonso, onde a gente não conhecia ninguém, batemos numa porta para perguntar se alguém conhecia uma professora com quem pudéssemos falar. Encontramos a casa da professora Raimunda, única filiada ao
CPG na cidade. Foi uma emoção danada!

Era assim que a gente ia crescendo. Na direção, eu comecei como vice- presidente do Niso Prego em 1979, depois fomos reeleitos em 1981, depois em 1982 o Niso saiu para se dedicar ao PT e eu fui ficando como presidente, não me lembro até que ano, mas sei que foi por um bom tempo. Era assim que a gente fazia a luta do CPG, e depois do SINTEGO, no interior de Goiás, nos tempos da ditadura militar.

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